Bom Dia Mundo Cruel!
 

 
E o que é tudo senão o que pensamos de tudo? (Fernando Pessoa)
 
 
   
 
15.7.04
 
:: Rapidinha pré-Recife::

Fui assistir o Homem Aranha 2. Nem melhor e nem pior do que o primeiro, mas mais direcionado para quem já gosta ou conhece o contexto do persnagem. O melhor do filme foram os ganchos para os próximos vilões: Dr. Connors e o Duende Verde Júnior.

Vocês conhecem o ditado que diz "antes sobrar do que faltar"? Eu devia conhecer e aplicar isso quando sair pra comprar calças...

Comprei camisas brancas e tintas para tecido! Nunca mais comprarei têxteis industrializados novamente (à excessão de camisas brancas e tintas para tecido, claro)...

Volto com conchinhas pra vocês...

9.7.04
 
E eu que pensava que a única coisa legal de BH fosse a Mariana... esse mês eu tive o prazer de poder assistir a duas quadrilhas aqui e me empolguei com o assunto. Infelizmente não deu pra aparecer no Arraiá de Belô, mas achei interessante perceber e/ou descobrir que existe todo um fundamento e toda uma cultura por trás de todas essas manifestações que ultimamente andam tão criticadas, só porque o Lula resolveu fazer. Aliás, tudo que o Lula faz vira sinônimo de comportamento ridículo. O Lula não pode governar como qualquer político de direita que todo mundo diz que é errado. O FHC era lindo! O Lula não pode tomar a sua cervejinha que todo mundo cai matando, chamando o cara de alcóolatra. O Lula não pode celebrar bodas de diamante vestido de jeca, com buquet de couve-flor, que todo mundo lembra do bouquet de pepino no povo! Eu acho isso uma sacanagem (porra, estou me sentindo o Macaco Simão, alguém sabe onde eu compro o tal colírio alucinógeno?)!
Mas concluindo, ano que vem quero montar um grupo de quadrilha com uma musiquinha animada e encher os córneos de quentão!!!

6.7.04
 
E os arcos se levantaram. Silêncio. Todos esperavam, impassíveis, a ordem do regente. E então veio a ordem. E então todos os arcos desceram tocando de forma surpreendentemente sincronizada seus instrumentos. Tudo muito lindo. Ah é, o Caetano Veloso também estava lá, cantando... pois é, fui ao show do Homem (o Caetano, não o Aranha) e em verdade vos digo que o melhor de tudo é que ele é que a direção é dele. Às vezes o perfeccionismo enche o saco, em outras o perfeccionismo pertence ao Caetano Veloso. De todos os shows que assisti o dele me marcou por dois pontos que nunca consegui perceber em nenhuma outra apresentação de nenhum gênero. O primeiro, sem sombra de dúvida, a qualidade mencionada (agora só falta assistir ao Deus Chico Buarque), combinação perfeita de estrutura (Palácio das Artes), arranjos (Orquestra de Câmara de BH mais músicos competentes o suficiente para estarem ali) e... ahn... e eu lá pra ver tudo e contar pra vocês como foi bom. A segunda foi a presença do Caetano, extremamente sóbria, como se fosse um Deus que viesse tocar para os humanos (não estou classificando o repertório e sim a postura dele no palco). Como um Deus era inalcansável e como um Deus se colocava bom e disponível, conversando com a platéia e sendo suficientemente simpático (sem precisar de demonstração de amor por ninguém, como normalmente vemos por aí). O repertório contou só com aquela falhazinha (que inclusive a Maria Júlia já mencionou): Come As You Are. O Caetano não precisava e nem o Curt, nem os fãs (do Nirvana e do Caetano) mereciam aquele papel ridículo. E a condução da apresentação só teve mais um momento triste (além da hora do Come As You Are). Que foi um momento em que um dos músicos do violão, um já consagrado artista cujo nome me falha, tentou fazer um solo que ficou horrível (horrível não, mas qualquer fã de jethro tende a apreciar um bom solo seja lá de qual instrumento) seguido pela tentativa, também frustrada do baixista (mas porque estava tocando um baixo acústico, quando tentou a mesma coisa no baixo elétrico icou um beleza) em completar o raio do solo. O fato é que foi uma excelente apresentção de duas horas, em que Caetano Veloso soa perfeitamente lindo e amaro. Como ele mesmo concluiu ao final do show: "ficou bom pra caramba."
PS: Viu amor, nem desci o pau igual você pensou que eu ia fazer...

2.7.04
 
Gastei 20 dinheiros num sebo hoje. Um livro do Pessoa, um do Machadão e a Lolita do Nabukov. Lolita, aquela piranha, tenho certeza de que vocês já ouviram falar. Mas não estou escrevendo isso pra mostrar que impulsos capitalistas podem ter conseqüências culturais e sim pra falar um pouco de literatura. Lendo um pouco Fernando Pessoa me lembrei de uma conversa com uma amiga onde ela me disse que só não cursava letras porque parece terrível o olhar cirúrgico que devemos desenvolver ante os autores. A poesia se perde em toda aquela métrica e em todo o rítmo. Essa imbecilidade artística, esse descaso com as formas de produção e a erudição e torna totalmente inapto para apreciar alguns tipos de música e ao mesmo tempo hábil para desfrutar de todos. "A ignorância é a felicidade" dizem todos os filósofos de buteco e eu não discordo. Posso cuspir num Picasso com a mesma inocência de quem sugere "Sistem?". E bem, eu tinha uma dessas frases de efeito para concluir, mas acabei esquecendo devido essa memória de peixe. Mas eu devo voltar a escrever sobre o tal show do Caetano e aí quem sabe?...
 
Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão

Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói

Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim


(O quereres- Caetano Veloso)

Isso é porque já quase apanhei por chamar o Caetano de "um dos melhores poetas"... então, antes de ser apedrejado por aqui, vamos referenciando o que foi dito.


1.7.04
 
Sim, a coisa está feia. E está tão, mas tão feia que eu não consigo pensar nem numa poesia (dadaísta que seja) pra colocar aqui. Podia estar aí fazendo spam, podia estar roubando, matando, me lamentando por não ter o que escrever, mas estou aqui dizendo que a coisa está feia. Marol, você organizou uma festa junina ao lado da minha casa e não me chamou... e o pior: eu fui. Fui mas já estava tarde, encontrei as pessoas voltando para suas casa com panelões na mão e caras de sono (no meu tempo festa junina tinha que durar dois dias direto...). Mas o que eu estava dizendo mesmo? Ah é. A coisa está feia. O semestre está acabando e com ele se aproximam as más notícias acadêmicas (espero não me ferrar tanto assim). O bom é que com o fim do semestre vem a tão esperada viagem pra Recife. Eu falei de Recife pra vocês? Pois é, ultimamente não tenho falado de nada. Eu vou pra Recife, vou passear, namorar (antes que me perguntem, o namoro é a única coisa que não está feio, aliás, minha namorada é linda!) e se Deus quiser, conhecer um monte de lugares bucólicos, históricos, boêmios e culturais. Até que olhando por esse ângulo a coisa não é tão feia assim. Mas se eu lembro da grana que eu vou gastar... e por falar em dinheiro, devo ir ao show do Caetano Veloso. Vou pagar pra ver um dos maiores letristas (poeta, o Caetano é um poeta) brasileiros tocar e cantar um monte de cover em inglês. Mas o meu amorzinho lindo merece ver de perto seu maior ídolo. E o curso de desenho? Tá indo que é uma beleza. Eu já tinha um monte de personagens idealizados antes de entrar lá. E lá acabei criando mais um, que até agora me pareceu o mais divertido. Batizei de "Negão do Violão", que é uma homenagem descarada pro Hudson. Acho que nunca mencionei o Hudson aqui. Mas isso não importa porque ele não acessa a internet e se acessa o maldito não só não comenta no blog como também não me conta que acessou! Hum... Lariz... eu acesso o seu blog viu? E o fotolog também. E Gu, o seu também. Aliás, procuro acessar o de todo mundo, mas segundo meu irmão é importante mencionar os de vocês em especial. Mas eu estava falando do "Negão do Violão". Quero usá-lo para fazer tirinhas. Assim que tiver tirinhas prontas irei fotografá-las, tratá-las e publicá-las aqui. Mas isso v ai demorar uma eternidade, esqueçam que leram isso. Bom, no mais é isso. Até que olhando daqui a coisa nem me parece mais tao feia. Viu porque é que eu tenho um blog?
Piada interna: Lingüiça.

 

 


   
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