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29.7.05
::Meu amigo, o destino::
Era um cano metálico, negro e frio, pelo menos à primeira vista. E estava firme na mão dele. Ela estava agachada num canto chorando copiosamente, com certa razão temos que admitir, por estar exatamente na mira daquela arma.
E ele parado ali, na outra ponta do revólver, esboçando, no máximo, um ar de contraridade com todo aquele choro. Por que ela não parava? Ele havia dito tudo, ela já deveria ter parado... ele tentou mais uma vez:
" vou tentar mais uma vez: se você parar de chorar, para que possamos começar, eu não atiro. É a sua última chance."
Ela continuava a chorar como se ele não estivesse ali. Como se não fosse ele, ou a arma, os causadores de todo aquele desespero, aquele pânico. A causa já não parecia importar, o ato era contínuo e inercial.
Não houve hesitação. Ele não olhou para traz.
27.7.05
::Quem sabe um dia eu escrevo uma canção pra você...::
Os dois se olharam ainda mais uma vez. Tanto tempo e tanta coisa. É sempre isso que resta. E isso é o que realmente acompanha. O mundo agora é outro, ele pensava, o meu mundo agora é outro. Estou condenado. Mas existem coisas que não se entende e não se explica. Ele costumava dizer coisas assim, sobre a irrealidade de seus atos e suas idéias. Mas ela nunca entendeu e não era agora, com ele em seus minutos finais que ela iria começar a compreender. No fim, todas as teorias religiosas estavam certas, temos mesmo um propósito. Cada um ocupa um lugar que devia ser ocupado por ninguém além. Ele estava feliz por poder morrer assim, em seu devido lugar. Sendo aquilo que estava programado para ser antes de acabar. E restava um como que de alívio, afinal, ninguém queria que ele fosse quem foi, nem mesmo ele. Mas mesmo assim todos iriam sentir sua falta, inclusive ele. Os dois continuavam se olhando nos olhos, adivinhando estes e outros tantos pensamentos daquela forma muda de comunicação que tanto agradava pela simplicidade e cumplicidade. Era a hora, o colapso final estava próximo e a última contração seria indolor e fatal. Vai lá, ele disse. O grandão está te esperando e você está esperando o grandão...
E assim, meio tristes, meio que aceitando que a vida tem dessas coisas de morrer, ela lhe deu um último abraço e saiu.
::Sansara::
Bom, minha vida chegou num ponto de sedentarismo que a grande aventura deste fim de semana foi cortar o cabelo. Precisava de fazer algo diferente e a saída foi a poda. Isso me faz ficar pensando que quanto mais velho a gente fica (mesmo sem ficar velho), mais a gente vai se aviadando. Ontem à noite meus vizinhos fizeram um churrasco. Me chamaram, mas tinha tido um dia tão estressante que achei melhor ficar em casa com o Bram Stoker. E eles estavam ouvindo Jamiroquai, eu nunca seria uma boa companhia num ambiente de virtual insanity. E mais só mais uma constatação: eu sou incapaz de escrever qualquer coisa quando estou lendo bons livros. Acho que meu subconsciente trava tudo com aquela perguntinha básica: pra quê?
22.7.05
::O terror! Oh, o terror!::
Confissão rápida: estou lendo Drácula, de Bram Stoker. É, isso mesmo, eu nunca havia lido Drácula, sou um ignorante. Estou adorando, principalmente depois de minha última decepção literária que foi o livrinho do Dan Brown. Só que às vezes o livro tem um efeito oposto em mim. os protagonistas são, em algumas passagens, tão esteriotipadamente bons, que eu me vejo dentro de uma novela mexicana. Isso sem falar nas frases de efeito, meu Deus, como eu gosto de frases de efeito. Agora mesmo estava lendo uma que me inspirou a vir aqui dividi-la com vocês (o Bram Stoker era um sádico):
_Que sinistra maldição é esta que nos persegue? Como podem todas as potências demoníacas do inferno concentrarem-se destarte contra nós? ( Van Helsing, ao saber que a mãe da menina que estava sendo ataca pelo Drácula tinha jogado fora o alho que ele próprio havia meticulosamente espalhado pelo quarto da dita menina)
Isso sem falar que o Drácula é muito, mas muito mau mesmo...
21.7.05
::Homenagem óbvia::
"E eu que era triste, descrente desse mundo. Quando eu te conheci, descobri o que é felicidade, meu amor..."
Depois de uma pequena pequena discussão e de uns mal-entendidos, havia resolvido não mencionar nada relacionado à minha vida afetiva aqui no blog. Porém, depois de receber essa menssagem por e-mail, é impossível não querer declarar o tamanho do amor aos quatro ventos e deixar que, quem quer que queira, saiba a profundidade do carinho que sinto por você!
20.7.05
::Felicidade::
A felicidade se encontra em coisas simples da vida. Eu, por exemplo, estou muito feliz porque agora eu já anexei ao meu acervo musical a discografia do Nirvana e quase toda a discografia do Pato Fu. E já ouvi tudo! Tudo! Ha ha ha ha ha! Hoje o Pato Fu, amanhã o mundo!!!
15.7.05
::Exercício de intenção Pessoana::
Fernando Pessoa, segundo um amigo que faz Letras, era um poeta que tinha a poesia por emprego. Portanto suas poesias não refletiam um estado de espírito ou vontade contra o mundo e sim a poesia como um movimento poético simplesmente. Tanto que alguns de seus versos mais famosos descorrem sobre a habilidade de "fingir" daqueles que fazem poesia. Pois bem, hoje eu parei pra pensar e pra fingir, fingir tanto até fingir que sou dor, na definição do próprio Pessoa. E o resultado é esse, que está aí em baixo. O próximos serão melhores, tenham paciência:
A quem importa se vivo ou morro,
senão a mim?, a mim
me importa
Se atravesso o vão,
ou não, quem se vai?
quem, senão eu mesmo
e não tu ou tu
Ao mundo importa que
minha imagem esmaece?
Estando eu lá ou cá?
Minha imagem só esmaece
lá ou cá estou sempre a deixar
Não se deve afligir
e não se aflige
quaisquer das coisas do mundo
pela escolha que faço
de andar por qual lado do portal
e ver a vida a sofrer de qualquer forma
13.7.05
Nem tudo no Rio de Janeiro é uma porcaria. Ouçam MPB4, é muito bom. Estou aqiu ouvindo uma versão deles para " O bêbado e a Equilibrista", do João Bosco, e...e... bah, escutem, depois me contem
12.7.05
::Grandes explicações::
Os gregos, que não trabalhavam nem tinham que acompanhar o Big Brother tinham muito mais tempo vago pra refletir sobre o mundo e as coisas do mundo do que nós, escravos do Sistema e da Rede Globo. Foram eles responsáveis por várias das grandes pérolas da sabedença mundial como, por exemplo, o difundido e aplicado "só sei que nada sei!". Nesses devaneios, os antigos pensadores também começaram a filosofar sobre o homem e o mundo em que o homem vive, chegando a conclusões tão espantosas que os cineastas as usam até hoje pra encher seus rabos de dinheiro e provavelmente continuarão usando. Um exemplo disso é o Matrix ("o", pois me refiro ao filme), que parte do pressuposto que diz que a realidade não é aquilo que vemos diante dos olhos. Incrível, não? E sabe o mais impressionante? Eles têm razão. Claro que eu não me refiro a vivermos pregados em cadeiras metálicas participando 24hs de um simulador de interação social em rede. Ninguém conseguiria passar tanto tempo no Orkut. Parto de uma idéia mais simples, uma idéia de que na verdade nossa mente vive a nos pregar peças sobre o que é realmente "real". Aquilo que você vê, não é mais do que aquilo que você vê e talvez não tenha nenhuma ligação com o que é real. Quer um exemplo simples? Tão simples que chega a ser besta? A linha do horizonte! Está lá o horizonte, o lugar onde o mundo deixa de existir, a " taba da berada" da Terra. Deu um trabalhão provar que o Mundo era redondo...
Quer outro? A lua. Já viu o tamanhinho (o Word, da Microsoft, acusa essa palavra como gramaticalmente correta...) dela lá no céu? Pois é, deixa eu te contar uma coisa: é enorme! Muito maior que as árvores que a escondem. Bom, fica então provado que o mundo com o qual lidamos é pessoal e intransferível, fruto de nossa reflexão sobre uma realidade bruta e intocável. A partir dessa análise, algumas pessoas (eu estaria sendo muito mentiroso se dissesse que isso é idéia minha) fizeram a brilhante analogia de que nossas mentes são simplesmente "espelhos" para a realidade, refletindo-a sem nunca torná-la táctil. E é daí que veio a inspiração para o desenho da minha tatuagem, que é um espelho quebrado. Uma idéia de negação para tudo que nossa mente impõe como real e que tentamos impor como real para pessoas que enxergam seu próprio real a partir daquela mesma matéria bruta. Estranho? Isso porque vocês não viram o gatinho da peça de sábado passado, aquilo sim era estranho...
Adendo: o símbolo de espelho foi criado para representar um clã de vampiros conhecidos como malkavianos num jogo de RPG. Mas eu sei que NÃO sou um vampiro, muito menos um malkaviano, assim como eles também sabem disso...
11.7.05
::E a tal da tatoo?::
Quem me conhece sabe que eu odeio neologismos americanizados, logo, por que será que o Rodrigo, que odeia neologismos americanizados, escreveu "tatoo" e não "tatuagem"? simples. Por causa do trocadilho. Qual trocadilho? Aquele da música:
" Comer tatoo é bom, que pena que dá dor nas costchas..." É... eu pensei que ninguém ia gostar mesmo...
Mas meu intuito era só dizer que eu já sei o que tatuar e já sei onde. O desenho é o seguinte:
Ops, desenho errado, considerem esse desenho:
Vai num lugar onde as pessoas não estão autorizadas a ver normalmente, um lugar só meu e que eu só mostrarei quando tiver realmente vontade e confiança nas pessoas que a verão. Claro que é nas minhas costas, seus pervertidos, na altura da clavícula. Agora estou só esperando os donativos para pagar pela tatuagem...
PS: agora estou trabalhando, depois explico o porquê do desenho ser aquele!
::Profético Apócrifo::
É, ficou parecendo título de música do Humberto Gessinger, mas é porque às vezes acontecem coisas estranhas e eu fico me sentindo...hum... estranho, quando essas coisas acontecem. Acho que a imagem do gatinho na peça de Sábado à noite pode ter influenciado algo...
Acontece que hoje de manhã, quando estava no ônibus pra cá me ocorreu um texto. Isso, um texto, não uma idéia. Acoisa veio pronta, como que ditada para que eu escrevesse. logo pensei em classificar esse texto como profético. Ele é religioso? Não. Ele é edificador? Não. Faz alguma previsão? Tsc tsc. Então por que profético? Porque não é meu. E eu não sei de quem é. Mas poderia então ser psicografia... mas também não é, porque eu proibi terminantemente, que qualquer qualquer espírito, alma, aparição, fantasma e/ou manifestação sobrenatural atue sobre meu corpo e minha mente. Mas ái está a profecia. não tem um fim, estou no aguardo de mais alguma notícia. Aguardem comigo:
Havia uma caverna onde viviam vários homens. Se esses homens viviam a se espantar com as sombras frias e de emoções nulas ou se haviam de encarar a realidade cruel da pouca comida e dura caçada todas as manhãs, isso não me foi explicado e fica ao nosso cargo definir como esses homens passavam seu finito tempo. O fato é que havia também um acordo para aqueles que viviam na caverna. Para que pudessem todos, com todas as suas divergências próprias de humanos, conviver e existir sem que se prejudicassem, era proibido que um homem praticasse atos de liderança sobre um ou vários homens. Haviam de ser todos particulares, únicos e originais em suas próprias características. Mas quis o destino que a natureza humana, quaisquer sejam suas peculiaridades, tivesse como constante a capacidade (ou necessidade) de impor e influenciar sua vontade sobre a vontade dos outros que o cercam e isso, como já explicado, era uma transgressão à lei da caverna.
Por mais que tentassem evitar, de tempos em tempos a vontade de um dos homens daquela caverna acabava subjugando a dos outros moradores, sendo eleito, por capacidade de transmissão de opiniões, um líder entres esses homens. Por ser esse processo gradativo e sutil, era normal que levasse algum tempo até que a liderança se tornasse iminente e o líder se destacasse entre todos os outros.E cabe dizer também, que em muitas das vezes em que havia um líder, nem o próprio conseguia reconhecer que era este o título que lhe cabia.
E era simples a solução adotada para controlar o aparecimento de impositores de idéias e comportamentos: mata-se o líder. Alguém que desempenhe ou tenha desempenhado alguma posição de liderança não deve existir num lugar onde a única regra a não ser violada é essa.
6.7.05
::Enquete::
Se eu fizesse uma tatuagem, onde deveria fazê-la?
A resposta mais criativa ganha o greatest hits do Wando!
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