Bom Dia Mundo Cruel!
 

 
But nobody ever hears him, Or the sound he appears to make, And he never seems to notice
 
 
   
 
29.8.05
 
EU MENTI!
O Bom Dia, Mundo cruel!, acabou!

Se você ainda não desistiu de mim e quer ler qualquer outra bobagem que eu venha a escrever, acesse:

Musicolatria

E adeus!

25.8.05
 
::E eu não devia te dizer, mas essa lua, mas esse conhaque::

Tudo que começa acaba não é? Bem, às vezes e esse blog tem disversas provas em seus arquivos de que gosto de largar tudo mal feito e pela metade. Talvez isso se deva ao fato de eu ser um ser extremamente social e fico esperando que as pessoas construam coisas comigo. Resumindo: eu gosto de começar coisas para as pessoas ao meu lado terminarem. Mas como essa função de escrever aqui tem sido realmente uma coisa chata e solitária, vou encerrar esse blog. Essa foi a última postagem feita por mim aqui e ficará no ar até segunda-feira, quando ele deixará de conter minhas palavras (uh, que dramático). Mas é isso, só pra não perder o costume:

Sozinha e sentada no chão frio ela repetia incessantemente ¿Não de novo...¿ com o olhar petrificado e meio morto. As imagens voltavam rápidas e desconexas, como um vídeo clipe de alguma bandinha de new metal exibido ao contrário. Cerveja, luzes, muita, mas muita gente desconhecida, cerveja, música, cachaça, cerveja... foi como um mergulho desastroso, ela pulou e sentiu seu corpo se molhar e se refrescar, então não saiu da água. Num piscar de olhos ela estava simplesmente deixando seu corpo seguir correnteza abaixo para não precisar lutar contra ela. Por fim ela já não conseguia respirar e havia água entrando por vários orifícios do corpo, como uma violação natural de sua capacidade de respirar e tomar decisões. E todo o tempo ele estava lá. E todo o tempo não foi suficiente para que ela o reconhecesse entre a chusma que se divertia ali. Agora (que estava sozinha) parecia tão óbvio, tão simples...ela se odiava cada vez mais...

agora acabem esse pra mim...

16.8.05
 
::Nós, humanos e limitados::

Parecia coisa de cinema: a mocinha era loira e o vilão feio e careca. O que os havia transformado em vilão e mocinha não nos cabe aqui, pois não estou escrevendo nenhum tratado de sociologia. Mas lá estavam os dois, num ponto de ônibus, separados apenas por um pessoa que esperava ônibus junto aos dois e não era herói. E se deu que o ônibus do referido terceiro apareceu e ele, como todos esperávamos deu o sinal e subiu. Bastou isso para que vilão e mocinha se vissem sozinhos. O lascivo vilão se debruçou sobre ela dizendo: "Tá com medo, mocinha? Você tem medo de mim mocinha?" Ele não chegou a dizer isso muito alto. Mas a cena era suficientemente chocante para chamar a atenção do herói. Ao perceber isso, o herói, que estava sentado justamente no ônibus que aquela terceira pessoa parou, se levantou e gritou pro motorista: "Motô, abre a porta e me dá um minuto!" e antes de descer se virou e falou meio para o motorista, meio para qualquer outra pessoa do ônibus: "se eu for apanhar, alguém podia descer e me ajudar, né?"
E se lançou sobre o vilão.
Não houve tempo para raciocínio, a mão do herói foi parar rápida e diretamente no nariz do vilão, que ao ser surpreendido não conseguiu se desviar do chute que se seguiu ao soco. Herói e vilão se encaravam, ambos surpresos. O vilão por um momento olhou pra mocinha, que agora chorava horrorizada com tudo aquilo e depois para o ônibus, que não só estava realmente esperando pelo herói, mas também tinha as portas abertas e diversas pessoas se amontoando nas janelas para assistir ao espetáculo. Ele não era querido ali e ia continuar a não ser. Antes de sair dali correndo, ainda gritou alguma coisa ininteligível sobre tiro, mas isso já não fazia a mínima diferença. O herói voltou pra ônibus com todos os olhares ainda postos sobre sua pessoa (e sua coragem e seu atrevimento, pois todos pensavam "e se o vilão estivesse armado"). O ônibus arrancou e a mocinha ficou ainda meio chorosa no ponto, não se sabe se porque estava chocada ou se porque todos teriam um dia comum de trabalho pela frente.

11.8.05
 
::Burocracia::

Só pra constar:
Hoje eu estou muito feliz. Muito feliz e tranqüilo. Tenho duas opções de atividades à noite que serão muito prazeirosas, independente de qual ocorrer. Pensem que eu resolvi assumir uma brincadeira de escritor e estou me divertindo com isso também (independente da qualidade do que eu escrevo). O que eu escrevo é ficção. E, apesar de serem histórias tristes, eu me divirto muito ao escrevê-las. E eu só estou dizendo isso porque algumas pessoas próximas estavam meio preocupadas com o que tem aparecido escrito por aqui.
Às vezes a distância gera um sentimento de tranqüilidade bom, não?
 
::Estou longe... longe... estou em outra estação::

Tem dias que se acorda cansado. E hoje ele havia definitivamente acordado cansado. Dizem que existe um fluído místico, um éter espiritual que constitui toda a realidade. Pois bem, hoje ele estava se afogando em éter. Começou logo cedo, quando abriu o chuveiro ao se deparar consigo nu, se enojou diante da perspectiva de morrer como um ser humano. Ele queria mais. Precisava mais. Queria ser um peixe. Ali debaixo do chuveiro pensou que se fosse um peixe estaria livre de tudo aquele sentimento que lhe oprimia o peito e o transtornava. Debaixo d¿água, dentro de um oceano, no silêncio, no escuro, ele encontraria seu propósito. Aquilo que chamavam de pedra filosofal. Ele estaria em paz. Se deu conta então de que acabaria se atrasando para o trabalho e desligou o chuveiro, mais ainda assim continuou a vislumbrar seu casulo escuro e aconchegante. Enquanto calçava os sapatos (malditos sapatos) sentiu vontade de deitar novamente e dormir. Que o trabalho fosse pro espaço. Que seu gerente fosse atrás e levasse todos os malditos projetos que ele tinha que supervisionar. Mas não deitou e conseqüentemente não dormiu.
Entre uma ligação e outra, um e-mail ou outro, avaliando tanto os clientes, quanto os projetistas (malditos, todos eles), foi deixando seu humor se acinzentar, deixou que toda aquela repetição o levasse pra longe de seu oceano e tudo que ele mais precisava agora era do fim da raça humana de alguma forma rápida e dolorosa. Tudo é vazio. As pessoas são vazias e essa era a única conclusão que martelava sua cabeça. Foi assaltado voltando pra casa. O assaltante usava um moleton muito bonito. Não reagiu e tudo correu de tranqüilamente. Trocou seu dinheiro por tapa na cara. Agora tinha certeza de que o que ele queria não era um oceano. Era voltar ao útero. Sim, isso seria perfeito. O útero, escuro quente e silencioso. Pensou em como seria voltar a ouvir o coração de sua mãe bater, bem pertinho, bem pertinho...
Ele nunca iria voltar pro útero. Ele nunca iria a lugar nenhum. E morrer não era divetido ou poético como já o haviam dito. Seus braços doíam (malditos braços) e ele não tinha certeza se a temperatura da água era aquela mesma. Em seu último pensamento imaginou que seria ridículo se acordasse em qualquer outro lugar, um hospital ou coisa que o valha. Mas não acordou.

3.8.05
 
::But the memory remains...::

Come as you are, as you were
As I want you to be
As a friend, as a friend, as an old enemy
Take your time, hurry up
The choice is your, don't be late
Take a rest as a friend as an old memoria
Come dowsed in mud, soaked in bleach
As I want you to be
As a trend, as a friend, as an old memoria

And I swear that I don't have a gun
No I don't have a gun


(Nirvana- Come as you are)

2.8.05
 
::No fim, eu sou apenas um menino...::

"Estou condenado..."
E estava mesmo. Alguém havia esquecido contar a ele que ações levam invariavelmente a reações e por deduções óbvias, ações desesperadas culminaram naquilo que ele havia se transformado. E apesar da expressão vaga, o fato de estar admitindo isso em voz alta e para quem estava ali ouvindo, seu grande adversário de quase toda uma vida, mostrava sua resolução e a certeza de que as coisas são inevitáveis.
"sabe, eu deveria ter te matado. É um pouco decepcionante pensar que você completou meus objetivos por mim. Mas não posso negar, o mundo será um lugar melhor sem você nos meus calcanhares."
Havia um acordo tácito entre eles de que não havia necessidade para um confronto direto. No fim, eram apenas duas almas egoístas e angustiadas que por uma ironia (gigante) do destino estavam ali, para mostrar um ao outro, a insuperabilidade das decisões deste grande mestre.
"Mas, no fim, o que estamos fazendo aqui, olhando pro nada dessa forma?"
Não era uma pergunta filosófica. Apesar da predestinação de morte de um inimigo não ser fato comum, não havia mesmo motivo para qualquer solenidade ou despedida. Sempre se odiaram, isso não mudaria com qualquer deles morto.
"Você mente. Seu objetivo nunca foi me ver morto. Assim como o meu também nunca foi esse. Possuímos apenas causas antagônicas. Você almeja uma vida pela qual eu dedico esta minha existência. Minha morte me livra de meu objetivo. E aproxima você do seu."
Sim, era isso. Esse desprendimento heróico dos objetivos, essas reflexões que livram a culpa dos justos por querer aflitivamente a morte dos que se julgam maculados e essa forma inocente de justificar meios pelos fins combinam com a categoria de mocinho, de protetor... exceto... pelo fato... de que ele... não se considera um... herói. Minha foice...
Mas era tarde. As garras do monstro já estavam enterradas nele. Várias vezes. Seus sangue se espalhava em uma quantidade que ele mesmo não acreditava possuí-lo. A morte é uma experiência traumática a partir de seu início. Ao morrer. Não se reflete pelo que se viveu, não se questionam os motivos que o levam para aquele estado, não se dá falta de nada que não seja a própria vida. Mas mesmo assim, Afardon ouviu de seu assassino:
"Com minha vida cessam meus objetivos. Não posso deixá-los ao cargo do acaso que me ordenou concluí-los. Metade desse problema eu resolvo aqui."- Dizendo isso o monstro se levantou e saiu.

 

 


   
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