Férias!
Depois de longos cinco anos de trabalho escravo mal remunerado, cansativo e insalubre, resolvi que merecia férias. Dessa vez, férias de verdade, com direito a salário de férias e todo o mais conquistado por anos de luta de trabalhadores politicamente muito mais engajados que eu. Obviamente essa história de Rodrigo coçando o saco, batendo orelha e morcegando seria tão absurda quanto as conhecidas lendas do Papai Noel, do Boitatá e dos políticos honestos, então, me explico: precisava de um tempo pra aplicar uns projetos pessoais. Entendam pessoais como "acadêmicos". Estou na reta final do curso, com um futuro promissor nas mãos, falta só formar pra exercer a digna profissão, mas para tanto preciso confeccionar e aplicar um projeto numa unidade de informação. O projeto já está pronto desde setembro. As férias servirão para sua devida aplicação. Quem me conhece deve estar adivinhando que é um projeto sobre contação de histórias, nada mais correto e óbvio. Mas o que ninguém imagina é que faz mais ou menos um ano e meio que eu não trabalho mais com contação de histórias, ou seja, estou voltando à Passárgada em nome do meu diploma! Hoje fui estabelecer contato com a tal unidade de informação, uma escola estadual aqui de BH. O plano é divulgar uma biblioteca comunitária do bairro para os alunos. Não que eles não tenham biblioteca na escola, ao contrário de todas as outras escolas estaduais do Brasil, essa que eu escolhi já possui uma biblioteca (bonitinha, eu até fui visitar), relativamente grande. Sem o mínimo de organização, mas grande. Fica um pouco chato, porque ninguém entende que o plano é ajudar a biblioteca comunitária e não a escola, então todo mundo fica falando "mas aqui já tem biblioteca", "até quem é de fora usa nossa biblioteca" e outras bobagens de quem não está muito interessado em entender os porquês que motivam as outras pessoas...
Me deparar com meu público foi excelente, acho os adolescente tão fascinantes. Se parecem com vacas, de cujas tetas, jorram hormônios... a analogia não parece boa, mas qualquer dia eu explico, sempre gasto um texto pra explicar uma analogia. Enfim, de volta ao velho ramo, público animado, quem sabe já já não estarei aporrinhando-os com alguma outra intempestiva e introspectiva história do "Bom Dia Mundo Cruel!"?