Bom Dia Mundo Cruel!
 

 
Pois quem pode comer, ou quem pode gozar melhor do que eu? (Eclesiastes 2, 25)
 
 
   
 
7.3.06
 
::Diabo Advogando::

"Se eu trabalho junto ao criador? Bem, podemos dizer que sim, mas eu opero em outro setor. Digamos que eu pertença à área de gestão. Deus desenvolve os produtos e eu os gerencio."
"Que produtos? Ora, não seja estúpida, eu estou falando de pessoas, assim como você mesma!"
"Mas é claro que existem mais como você! Qual seria a minha função se eles não existissem? Eu praticamente fui contratado pra isso. Mas agora me deixe falar, pois tenho pouco tempo e pelo que ouvi... você também."
"Por ora, basta a você saber que eu sei que Deus lhe deu o direito de escolher o seu próprio futuro, sem simplesmente apagar você da existência. Ele nunca admitiria isso, mas é vaidoso demais para destruir uma criação, mesmo as que se desviam completamente de seus plano iniciais. E eu também fiquei sabendo que você tem dúvidas quanto a qual destino escolher. Como? Ah, o diabo conhece o medo do coração dos humanos, minha cara, como conhece... mas sua escolha é um tanto óbvia e iremos demonstrar isso pelo método simples e eficaz da eliminação."
"Sua primeira opção é desistir da existência, ser apagada por Deus, que se deu ao trabalho de criar você à própria imagem. Sabemos que Ele não quer isso. Então, por que deveria você querer tal desfecho? Pra quê, eu pergunto a você, pra quê descordar das ordens do grande chefe? Por que acabar, quando o que se tem nas mãos é apenas um início? Inútil. Escolha vil e idiota, vamos descartá-la."
"Opção número dois: servir Adão! Se, por um lado, foi esse o propósito de sua criação, por outro, Deus, você e eu sabemos que não é este o grande destino reservado a uma criação perfeita. Servir é a abdicação completa e total de qualquer potencial autônomo, é a falência da vontade, é tornar-se irracional e fútil. Você é a primeira mulher! Você não é um brinquedo para o homem! Eu sei que seu coração anseia por mais que satisfazer as vontades de alguém que só irá machucá-la e destratá-la como o bom animal que você se tornará. Só Deus cogitou essa hipótese, o que corrobora com minha teoria de que o fato de ter lhe deixado viva foi muito mais um ato de vaidade que de amor! Esqueça Adão. Esqueça Deus!"
"E você deve estar pensando: minha escolha é mandar você para fora do paraíso, para o sofrimento e desespero, para longe dos braços do pai e do conforto de leite e mel desta terra... sim e não! Sabendo que aqui você nunca seria feliz, por nunca poder ser você, dona de suas próprias faculdades, minha sugestão é que saia. Mas não acredite no velho criador, que voltou as costas para suas primeiras invenções, para seus primeiros e imperfeitos filhos. Deixe-me dizer uma coisa: eles são perfeitos. A humanidade que prolifera lá fora é perfeita, composta por pessoas inteligentes e belas, que vivem de seus próprios méritos, livres da idolatria exacerbada que o velho hedonista dono desse laboratório requer! Lá fora você seria grande, pois foi criada à semelhança do grande pai. Os homens estariam a seus pés, os animais se curvariam ante sua presença. Só o júbilo e a alegria esperam por você, mas para isso você teria de se aventurar, teria que abraçar sua recém formada existência, teria que finalmente se classificar como humana!"

E então de um ponto não identificado, um barulho muito alto e agudo começou a soar, luzes vermelhas atingiam todo o perímetro e Lilith percebeu que isso não desconcertou o diabo, mas deixou-o apreensivo. Ele se levantou bruscamente e fez uma reverência rápida antes de abrir deus oito pares de asas e trovejar para longe.
Passado o susto inicial (Lilith podia jurar que não haviam asas, principalmente tão grandes), percebeu várias figuras aladas que partiam em perseguição do que se mostrou um invasor. Nenhuma daquelas figuras tinha um ar tão imponente ou uma postura tão bela quanto a do espírito que nega. Minto, uma delas, se não fosse tão bela, deveria guardar desvantagens imperceptíveis. E era ela que descia e encarava Lilith com um ar blasé enquanto recebia e enviava informes por um rádio.
Seu nome era Miguel e após esse única apresentação e depois de blasfemar contra o nome do diabo, ele fechou os olhos e os abriu, fixando-os em lilith. Sua boca não se abriu, mas as palavras começaram a correr pela sua mente...

 

 


   
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perdendo tempo

 

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