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E o resultado?/
Para eles a vida vivida ou sonhada,/
Para eles o sonho sonhado ou vivido,/
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto.../
Para mim só um grande, um profundo,/
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,/
Um supremíssimo cansaço,/
Íssimo, íssimo, íssimo,/
Cansaço.../ |
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29.9.06
::The better half::
Ela era alta pra uma mulher, 1,75m ou pouco mais e não era exatamente gorda, mas sua altura acabava denotando um pouco o aspecto de ¿moça grande¿. Tinha os cabelos castanhos, puxando pro claro, levemente cacheados, mas sem muito volume. A pele era clara e o sorriso largo e bonito. E ela era uma criatura mágica, apesar de não entender bem o que podia fazer com sua habilidade. Ela tinha o pitoresco poder de se transformar numa tartaruguinha, minúscula, do tamanho de um dedo polegar. Verde escuro brilhante. Ela costumava passar tanto tempo virada em tartaruga que talvez fosse de se imaginar que ela na verdade era uma tartaruga mágica que podia assumir o corpo de uma moça. E ela tinha um dono. Mas gostava mesmo era da mãe do dono, que era uma mulher pequena, dos cabelos pretos lisos e curtos, que emolduravam aquele olhar elétrico que corriam por aí afora pra dentro das pessoas todas. A mãe do dono sabia contar histórias e moça-tartaruga gostava de ouvi-las. E isso era bom.
A tartaruga vivia numa gaiola, o que era estranho, já que tartarugas costumam ser criadas em aquários, mas podia passar a maior parte do dia numa grande piscina ou na grama que crescia ao redor dela. Todo mudo acreditava que ela não fugia por ser tartaruga, que é um bicho lento, mas o que a levava de volta à gaiola era a esperança de poder ouvir as histórias da mãe do menino-seu-dono, antes de dormir e pensar em porque ela era assim, gente e tartaruga, mulher grande, tartaruga pequena, tudo ao mesmo tempo e ao mesmo tempo tudo tão vazio e sem quê nem pra quê.
Mas era assim que os dias passavam e durante um tempo tudo isso foi muito bom.
21.9.06
::No Pain, No Gain::
Bem, uma vez que você está aqui, deixe-me mostrá-lo como controlamos alguns aspectos da vida de quem... bem... de quem ainda está vivo.
Isso aqui, por exemplo, é a "turbina da felicidade" que regula a alegria da classe média brasileira. Vê como ela funciona bem? A alegria jorra para aqueles sortudos, hein? Mas deixe que lhe conte como essa belezinha aqui funciona. Venha comigo até aqui. Isso, feche a porta depois de entrar. Aqui está! O motor da turbina da felicidade é essa grande esteira onde todos esses hamsters passam o dia inteiro correndo, responsáveis diretos pela satisfação dos consumistas. Sim, eles correm incessantemente, sem pausa para descanço. Alimentação? Bem... eles não se alimentam, mas nós tomamos o cuidado de colocar os que vão ficando mais fracos no fim da fila, assim, quando morrem, não causam acidentes. Aqueles ali já estão bem fracos, você reparou? Quanto tempo eles duram aqui? Uns dois dias, mas não se preocupe! Eu tenho aqui, nesta outra saleta, um viveiro. Veja você mesmo. Aqui nós mantemos alguns casais para reprodução, mais os que são muito jovens para conseguirem correr na esteira. Depois de um mês, estão em excelente forma para se transformarem em pura felicidade para a "turbina da felicidade"! Eu estou mostrando isso pra você porque provaelmente vamos dividir nosso tempo aqui. Ainda não temos certeza, mas acredito que sua função será pegar os mortos e levar para o setor de ração. O quê?! Não, de forma nenhuma, hamsters são herbívoros, não se faz ração pra hamster com carne de hamster. Essa ração serve para nossa própria alimentação. O execedente é comercializado para alimentar outros setores. Sempre há excedentes. Essas gracinhas morrem com a mesma facilidade como nascem. Recolha aqueles ali, vou pegar mais alguns e colocar na frente da esteira. Coloque-os naquela caixa e apresse-se!
19.9.06
::Se penssasse em você, certamente lhe desprezaria::
Meu hamster é fan do Diogo Mainardi. Lê seus textos sempre que possível e manda diversos e-mails elogiando o cinismo e a inteligência do sujeito. Já meu cachorro o odeia. Lê os textos do mesmo jeito, manda também os e-mails, mas criticando os posicionamentos do resenhista, taxando-o de burguês e imbecil aculturado. Ás vezes eu fico triste por ver tanta gente agir como animais, mas já sei que o Diogo Mainardi pode causar as mais diversas reações em qualquer qualquer um que possua valores entre 1 e 10 no QI.
Eu também gosto do Diogo Mainardi. Quando acaba o Almeida Prado, o farmacêutico me vende esse que é um pouco mais caro, mas funciona.
13.9.06
:: Usem filtro solar, seus animais::
Eu sei. Vocês queriam que a vida fosse um quadro. Um conjunto de cores estáticas sobrepostas que geram a hipocrisia cognitiva da visão, chamada de imagem. Mas ela não é assim. Sua hipocrisia é outra, mais sutil. Precisa de um pouco mais que dois olhos estúpidos e tempo vago para que se enteda isso. Mas está lá, se mexendo, infinitamente. Colocasse essas frases, uma debaixo da outra e terímos poesia, que também (também) faz parte do sistema de gestão da falsidade humana. O cerne do ridículo original. É pegar dois quadros, colocá-los lado a lado e acreditarmos que existem duas vidas e uma história. Poesia. Eu agora mesmo olho o céu azul, as árvores e fico pensando que se tudo se resumisse a isso, a que vida! Mas o telefone toca e eu volto a minha mente para a poesia.
6.9.06
:: Tira o olho da maçã, infeliz! ::
Vínhamos para o trabalho hoje de manhã, quando dois outdoors chamaram a atenção na avenida. O primeiro dizia que o Pop Rock havia mudado para Novembro e que sua atração principal (pra variar) não seria uma banda de rock, mas o Black Eyed Peas, pseudo grupo musical que, infelizmente, já ouvi tocar à exaustão em alto-falantes de imbecis em geral.
Mas a minha surpresa maior foi o anúncio do outdoor vizinho, sobre um outro show patrocinado por uma emissora de rádio qualquer. Algum de vocês sabia da existência de um axeísta (um rebolador baiano, normalmente mineiro ou paulista) alcunhado "Psirico"? Eu não sabia. E era muito mais feliz nesse tempo, antes de hoje de manhã, quando não tinha conhecimento nem do cantor, nem da existência dessa palavra medonha. E com isso o destino nos prova mais uma vez que a ignorãncia é uma das guardiãs da felicidade humana...
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