::Mamãe tinha razão::
Porque, afinal de contas, com dinheiro já se comprou até Jesus...
mas é um pouco tarde para largar a faculdade e montar uma igreja...
::We´re all made of stars::
Eu trabalho agora no bairro Buritis. Pra quem não sabe, é um bairro caro (caro, muito caro) aqui em Belo Horizonte. Como é um bairro de gente rica, possui todo o tipo de serviço a ser disponibiliado para as pessoas ricas que por aqui vivem, logo, muitos pessoas pobres (como eu) vêm ao bairro Buritis dia após dia, para prestar esses serviços.
Aqui se demandam muitos garçons, frentistas, mecânicos, balconistas, secretários, faxineiros, entregadores, seguranças, lavadeiras e alguns poucos auxiliares de biblioteca (como eu).
Para o trajeto "casadoRodrigo-trabalhonoBuritis" existem três linhas principais de ônibus e todas elas estão sempre lotadas, abarrotadas, enfurnadas e entupidas de gente (como já disse anteriormente, os ricos demandam muitos empregados em todo tipo de serviço).
Existem pessoas (e quando eu digo pessoas, quero dizer teóricos, pedagogos e demais cientistas sociais) muito otimistas. Elas dizem que a pobreza, a falta de contato com a cultura e a ausência de cuidados animaliza o homem, gerando as pessoas frias e violentas que cometem os atos de crueldade que o Jornal Nacional, em sua cruzada humanizadora, nos faz questão de expor (a nós, os Hommer Simpsons).
Se eu já fui, em algum tempo, um otimista, eu fui. Eu não acredito em humanidade. Porque se a pobreza animaliza, bem, caros amigos, a riqueza também. E eu não digo que animaliza os ricos (não só os ricos). Animaliza os pobres que entram em contato com a riqueza. Alienia-os. Correção: alienia-nos. Todas essas milhares de pessoas que dividem o pequeno espaço do ônibus comigo, todas, trazem em seus rostos expressões que variam de infinita superioridade ao nojo não disfarçado. Cada qual com sua instisfeita cara de "por que é que logo hoje eu resolvi mandar a ferrari pra revisão?" Todos os dias. E essa Ferrari nunca fica pronta...