Bom Dia Mundo Cruel!
 

 
I am the son and heir of a shyness that is criminally vulgar
 
 
   
 
31.8.07
 
::The amazing walk of the Living Dead::

É a minha triste vida
Sempre penar e sofrer;
Vou morrendo a todo instante
Sem acabar de morrer.

Sabes meu bem que eu sofro
Quando não te posso ver?
É morrer de saudades
Sem acabar de morrer.

Prometeu-me Amor doçuras,
Contentou-se em prometer;
E me faz viver morrendo
Sem acabar de morrer.

Lisonjeiras esperanças
Vêm minha morte empecer;
Vão-me sustentando a vida
Sem acabar de morrer.

Em mim tome um triste exemplo
Quem amando quer viver;
Saiba que é viver morrendo
Sem acabar de morrer.

Quando ponho a mão no peito
Sinto um lânguido bater;
É o coração que expira
Sem acabar de morrer


(sem acabar de morrer - Domingos Caldas Barbosa)
 
:: Notícias para o Hudson::

01- Estou fazendo mestrado. Eu sou foda! Eu tenho o conceito. Na Ciência da Informação eu não tenho limites!

02- Eu não estou trabalhando. Eu sou um bosta. Mas meu pai está me sustentando e eu estou morando com o Gustavo e ele.

03- O Gustavo, depois de todos os anos de convivência atribulada se tornou uma pessoa que eu gosto de ter por perto.

04- Eu estou velho! Bebi uma garrafa de Campo Largo, anteontem e tive dor de cabeça. Foi horrível. Eu deveria ter ficado sério com a idade, mas só fiquei mais fraco...

05- Life sucks. But the alternative might suck more!

06- Eu sou um viciado em todo tipo de lixo que a mídia e a internet podem oferecer. Esse blog é só a pontinha do iceberg. Apesar disso, não tenho mais perfil no orkut.

07- Eu estou com saudades de você, seu maldito. Nunca sei quando você vai estar em Divinópolis! Um e-mailzinho na sexta feira dizendo que está em casa não faz mal a ninguém. Sempre tem um amigo com computador, caso sua casa não tenha internet.

08- Não é bonito expor mais que isso pela internet, mas por ora considere que eu estou com a maior parte das coisas sob controle. Sob controle de quem, eu ainda não sei, mas o que seria da vida sem um pouco de fé?

Vamos marcar de se encontrar quando as nossas ocupadíssimas agendas de homens de sucesso permitirem!




PS: E aí? Largou aquela mania boba de dar o brioco?

13.8.07
 
::De novo, a diegese::

Vi um filme. Como é da habilidade de diversos escritores e diretores, era um filme sobre mim. Porque havia personagens que fazem as coisas que nós gostaríamos de fazer em situações que gostaríamos de viver. Nós não vivemos. Nem aquelas coisas nem nenhuma outra, infelizmente. Mas o filme era isso, uma bela caricatura da minha vida e da de quem quer que seja. Um filme de amor não água com açúcar, mas sobre o que o amor é e o que ele significa. Pude re-aprender velhas lições dormentes. Como a de que o amor é um construtor insensível que parte após concluída sua obra. E que seguindo essa bela analogia (digna de um livro de auto-ajuda), a única criatura capaz de morar numa construção edificada pelo amor é a mentira.
O amor é uma coisa ruim? Ele eu não sei, nós somos, com certeza. A pergunta que martelante-flutuante-angustiante é a dúvida suprema dos que morrem todo dia: por que é que somos assim? Porque não sabemos manusear o amor? OU AINDA: por que diabos tentamos manusear o amor, encaixa-lo em nossas vidas como se fosse um terceiro componente de um relacionamento, um monstro preso num armário, escondido embaixo de uma cama. Eu me protegia e era fácil. Eu me abria e era difícil. O mundo se protege e quando eu me abro é difícil.
A paixão é um veneno secretado pelo amor em suas vítimas, para que elas não o sintam se instalando. Mas é doloroso de qualquer jeito.
E o Senhor de todas as coisas, o Pai-do-Rodrigo olha e sorri. Sorri porque ele sabe de tudo, ele vê tudo e a maioria dessas coisas é invenção dele. O Rodrigo sofre, Deus, o Rodrigo sofre assim como todos os outros. E ele sofre por ser uma máscara, assim como todos os outros. Livra-o do mal, do seu mal.
E o Rodrigo, assim como Jó, grita: “Tende pena de mim, pois fui tocado pela mão de Deus”.
Era um bom filme, como a vida: boa e sem um final feliz.
 
::You are from a perfect world::

Era uma vez um menino que tinha vários brinquedos dos quais gostava muito. Sua vida era dedicada à ilusão proporcionada por eles de que enquanto estivesse rodeado de brinquedos, nada poderia afetar-lhe o espírito ou o corpo. Um dia, não se sabe exatamente porquê (o menino sabia, mas se calou soturno quando perguntado), ele percebeu que tudo aquilo era mentira. Os brinquedos eram objetos inanimados e frios. A vida dos brinquedos era ele quem inventava. O calor dos brinquedos aparecia pelo excesso de contato de suas mãos. A voz dos brinquedos era nada mais que a sua voz, distorcida e dramática, inventada para que ele se ludibriasse. Ajuntou-os num canto do quarto e pôs-se a encará-los, esperando, de longe, que se mexessem. Provassem aqueles malditos brinquedos que ele estava errado. Eram vivos. Eram seus amigos, seus irmãos. Movam-se brinquedos, queria a todo custo o menino. E por todo o dia o menino não fez nada que não fosse sofrer a encarar brinquedos amontoados e congelados numa pilha no canto do quarto. Dormiu exausto, já longe de seu tempo habitual.
Ao acordar pela manhã, não havia mais pilha de brinquedos. Não havia mais brinquedos. Desesperado o garoto começou a revirar o quarto, buscando, querendo, angustiado por descobrir essa segunda ausência, de espírito e corpo de brinquedos. Encontrou, na gaveta de cuecas, um bilhete escrito com letra tremida, como se quem escrevera o bilhete sofresse de algum mal irremediável ou fosse (como já deveríamos imaginar) pequeno demais para segurar lápis sobre papel.
"Nos fomos. Você nos deixou sozinhos num canto. Você parou de brincar.
Sem amor, seus brinquedos."
O menino chorou. Mas precisava viver e dentro de pouco tempo descobriu que seus brinquedos pertenciam agora a uma outra criança. Essa criança era maior, mais forte, mais bonita. A nova criança sabia que os brinquedos eram seres mortos produzidos a partir de látex e vinil, mas mesmo assim brincava todos os dias com seus novos brinquedos.
O menino entendeu que as coisas todas que se passam na vida são estranhas. Os brinquedos não eram seus, nunca mais seriam seus. Mas eram vivos e quentes.


"Carta à Lia" ou "espécie de desabafo tranqüilizante a um ser humano que me chamou de amigo sem poder me apertar as mãos"

Ei Lia. As coisas não estão bem. Eu perdi minhas tintas, minha máquina de escrever e minha capacidade de encontrar metáforas que não são clichês. Caso mencione algum trem nesta carta, provavelmente estarei me referindo ao meu tempo de vida.
O mundo é o lugar mais esquisito de todos, povoado com milhões de personagens de contos de fadas e gente de mentirinha.
Um dia isso já me divertiu muito. Eu ria dessas pessoas e as trazia prá cá, pro outro lado do rio. O lado de fora, é o que eu quero dizer. Mas a grande maioria reluta vigorosamente em sair da água, talvez porque tenham medo de soltar o ar de seus pulmões. Talvez por medo de me terem que agradecer.
Mas não é mais engraçado. É doloroso. As pessoas começaram a se ofender. Eu vou aos pastos, eu as olho nos olhos, mas elas continuam ruminando, ruminando... não me seguem mais. Não me escutam e não riem das minhas piadas.
Eu tenho me sentido nauseado diante de tudo. A vida é um grande boxeador malvado a me esmurrar o estômago.
Antes eu a enfrentava em grupo, tinha gente disposta a segurá-la pelos braços para que eu a enchesse de porrada. Já deixei a vida doce e mole, inofensiva no chão ringue, sem saber pra onde ia, de tanto catiripapo no pé da orelha. Mas hoje eu só apanho, só apanho. Triste.
Mamãe costuma dizer que o ser humano só não se acostuma com paulada na cabeça. Discordo. Se acostuma com isso também. Então, desde uns dias prá cá eu resolvi me levantar (assim, meio sabendo que sozinho não tenho lá muita chance de sucesso) e deixar a vida bater. Com tudo.
Por enquanto tenho tomado surra em cima de surra, mas uma hora ela vai cair de cansada. Ou meu sangue vai espirrar no olho da danada e eu vou poder aplicar um contra golpe. Eu sou pessimista, mas teimoso como uma mula.
No mais, espero que com você as coisas estejam bem. Muito bem.
As coisas têm que estar bem pra alguém, afianl de contas.

Um abraço

Rodrigo

PS: O trem percorre trilhos infindáveis. Ele não pára nunca e eu fiz questão de arrancar-lhe os freios e alimento todas as manhãs sua insaciável fornalha. Eu não sei direito pra onde ele me leva, mas ele me leva.

9.8.07
 
::And all my hope is gone::

I will never bother you
I will never promise to
I will never follow you
I will never bother you

Never speak a word again
I will crawl away for good

I will move away from here
You wont be afraid of fear
No thought was put in to this
I always knew it would come to this

Things have never been so swell
I have never failed to feel
Pain


(You know you're right - Nirvana - trecho)

Não é assim a coisa mais bonita do mundo. Mas é um assim... como dizer... um não ver mais sorriso, não ver mais vontade, não ser mais. É. É um assim não ser mais e isso tudo é meio Nirvana porque tem idade demais pra ser emo.

 

 


   
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