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29.9.07
::Da série "Vinde a mim as criancinhas"::
Minha prima de 07 anos de idade conversando comigo, enquanto me mostrava os cadernos da escola:
"Quando você chegou, vi que estava muito sério, então pensei que ia ser uma noite difícil. Eu tenho a lembrança de você sorrindo..."
Ela é minha prima e usa esse Português lindo e limpo.
28.9.07
::Da série "Eu queria viver num mundo onde a metafísica poética governasse"::
Deveria ser cego o amor, ao invés dos homens...
27.9.07
Da Série "Uma vida triste exige gente imbecil"
Essa é uma coleção das coisas mais estúpidas (hediondas, ridículas, imbecis, rasas, aberrativas) pra se ouvir quando um relacionamento acaba:
"A fila anda"
"Ela não é mais problema seu"
"A melhor vingança é viver bem"
"Você precisa sair"
"Você precisa beber"
"Você precisa relaxar"
"Você tem que conhecer gente nova"
"Você precisa beijar uma boca nova"
"Uma paixão cura a outra"
"Vou te levar prum barzinho/forró/sambão/boate/festa e lá você vai esquecer de tudo num minuto"
"Liga pra sua ex"
"Liga praquela sua amiga"
"Ela não é a única mulher do mundo"
"Boceta também enjoa"
"Mulher é tudo assim"
"Mulher é igual biscoito"
"Amanhã é outro dia"
Tem mais, porque existe muita gente de mentirinha circulando por aí. Se a dor pudesse ser curada através de meia dúzia de saidinhas babacas, ou por estar cercado de gente fútil, acho que a própria dor não existiria n antes. Acho que o amor não existiria pra gerar a dor.
É necessário espairecer. Não é necessário se rebaixar ao nível mundano. Mundano e vazio. Vazio porque não há amor. Vazio porque não há amor. Vazio porque não há amor.
PS:
Mas um dia, Nossa Senhora, envolta num manto azul e cercada de anjos, há de estender as mãos prum filho triste e conduzi-las até as mãos do amor para que ele seja feliz. Ou há de conduzi-lo pro paraíso porque não há sentido em deixar um filho tão triste e machucado gemendo por aí...
::Miserable life series::
Começa uma série temática sobre a falta de horizonte e tristeza crônica da minha vida...
Da série "o que eu queria ser quando crescer"
Final de Rapunzel:
O príncipe encantado está vagando cego, sem água e sem comida pelo deserto. Ele é infeliz, tudo é escuro e sua vida não vai muito longe. Mas ele continua vagando porque tem uma esperança. Depois de passar um aperreio se arrastando, comendo mato e bebendo lama pra não morrer, ele encontra a Rapunzel. E ele encontra a Rapunzel porque Deus existe, porque o universo conspira a favor, porque alguém quer que a gente acredite que as coisas dão certo quando a gente tem amor no coração. A Rapunzel vê o príncipe naquele estado lastimável. O príncipe é abraçado, beijado e recebe o choro da Rapunzel, um choro de saudades, de amor, de tristeza porque o príncipe estava cego e moribundo. Isso cura o príncipe. E eles são felizes pra sempre.
22.9.07
Ser sozinho é a pior coisa do mundo. Eu estou sozinho. Completamente sozinho. Ouvindo "Perpetual Love", do Donald Byrd, o que torna as coisas ainda piores. Nunca foi tão difícil existir. O amanhã é sempre pior que o ontem ao contrário do que as pessoas dizem. Eu continuo firme na idéia de não morrer, mas hoje já comecei a constatar um medo interno de não conseguir manter essa coragem toda por muito tempo. Não é que eu queria morrer, sério. Mas não existe nenhum motivo pra continuar por aqui, a não ser o de evitar fazer com que as pessoas tenham que passar pelo aborrecimento da minha morte... espero que isso continue sendo um motivo por tempo suficiente.
Eu não queria estar sozinho. Não queria. Eu queria os dias azuis e amarelos.
E ontem eu descobri que tenho uma deformação no ombro, meu corpo havia realmente se deformado e se adaptado ao tamanho do outro corpo. Meu corpo é um meio corpo e a minha alma já não é mais nada...
E esse post não merece um título, nem um ponto final
PS: queria ter sido indispensável...
14.9.07
::And the beat goes on::
Vai, minha tristeza
E diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não possso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de min
Não sai
Mas, se ela voltar
Se ela voltar
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Não quero mais esse negócio
De você viver assim.
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim
( Chega de Saudade - Vinícius de Moraes)
13.9.07
::Auto-auto-ajuda::
Pela janela eu consigo visualizar meu último endereço: o trigésimo andar do edifício JK. Eu não vivo mais lá. E isso é triste. Um tanto triste porque minha vida tende a preencher alguns locais com uma metafísica irônica e absurda. A solidão que aquele lugar vai passar a representar no meu coração em pouco tempo será de tal forma dolorosa e incomensurável que me será impossível olhar pela janela sem pensar que a existência do gigante belorizontino é muito mais um castigo, uma chibatada na alma do que um beijo de boa noite. Podia ser um beijo.
Eu estou lendo o último livro do Harry Potter. Percebo que a J.K. Rowling (viram a coincidência? JK-JK) escreveu esse livro pra ela mesma muito mais do que pra Warner Brothers. Segundo a lenda, a série Harry Potter começou como uma terapia para tentar superar a morte do filho. E se em alguns capítulos ela tenta descrever a bravura do que se degladiaram com a magra e a reverência que todos devemos prestar a eles, em outro ela mostra o seu sentimento terrível de solidão, de vazio, de esmagamento mental ante um mundo que ela não irá moldar. Nunca. E ela pede socorro ou um pouco de consideração ou um pouco de pena (tende pena de mim que foi tocado pela mão de Deus, disse Jó, o bonzinho). E a frase é estranhamente simples e absurdamente tão completa de significado...
"Do not pity the dead, Harry. Pity the living, and above all, those who live without love"
7.9.07
::While the black wind howls::
Your momma never told you
How you were sposed to treat a girl.
Your poppa never told you and
Now youre all alone out in the world.
Sirens are streaming
Inside the winding sheets are pale.
Devils are dreaming
Dreaming of the blue angel.
Now I lay me down to sleep
But troubled dreams are all I find.
Pray the lord my soul to keep
Pray so I wont lose my mind.
Sirens are screaming
On wings tonight, Ill soon set sail.
Devils are dreaming
Dreaming of a blue angel.
Your mommas going to take it hard
You always were your mommas boy.
Your laying in the graveyard
Now youre not your mommas joy.
Streetlights come streaming
Ill bat an eye and cast my spell.
Devils are dreaming
Dreaming of a blue angel.
( Blue Angel -Squirrel Nut Zippers)
In a kind of shiver, I found a unconfortable pressage floating above my face. I try to put it away, throw it away, puke it far, far beyond my ludicrous mind. But the hard I fight, the larger it gets.
6.9.07
::Devaneio::
É uma estrada longa, infinita, asfaltada e cinza. Estou perdido em algum ponto dela, com medo. É noite e pouco se pode ver à frente. Isso é triste. Eu me sinto triste. Eu me sinto triste porque ainda me lembro da marreta em minhas mãos. Era uma arma, uma ferramenta muito grande e pesada. Estava suja e eu estava muito cansado e suado, exalando o mau cheiro peculiar de quem trabalhou durante horas... talvez dias, talvez meses... o cansaço era tanto, eu nunca iria conseguir criar uma extensão pra todo aquele tempo. Haviam ainda paredes grandes e fortes, a marreta trabalhava, abalando suas estruturas. Eu trabalhava. Eu destruía aquelas paredes. Exausto. Algo como contrariado. Eu batia, com braços trêmulos, a marreta contra as paredes. Elas cederiam, eu nunca. Eu já não sabia mais se queria ou não aquelas paredes no chão, tornadas em pó. Admirirá-las antes de destruí-las. A pintura um pouco gasta aqui e ali, mas uma pintura bem feita e antiga, em paredes imponentes, que sustentavam todo um edifício, que pela força de minhas marretadas lembrava uma casa fantasma. portas quebradas, vidro espalhado por todos os lados. quartos em frangalhos. Água esguichando pelos canos retorcidos. O cansaço ainda não era nítido. Mas a tristeza era. Doía pensar que se fazia necessário quebrar tudo aquilo. Que eu haveria de ter hombridade e macheza para avançar só contra aquela construção vazia e quebrá-la toda. As belas portas. As varandas. o belo jardim circundante. O ódio movia o corpo pra cima da casa. A fúria de considerar toda a futilidade de que se imbuiu aquela construção. Uma construção bela, onde um dia havia ele acordado sozinho. Desdenhado em seu esforço para pintar, rebocar, colocar em pé, cada um daqueles tijolos. Sempre coberto com a ilusão de que o trabalho conjunto fazia do cansaço um prêmio agradável. Eu não trabalhava sozinho. Mas eu estou perdido, sozinho e com medo, no meio de uma estrada escura, à noite, arrastando uma marreta suja.
Eu me deito e espero que o sono me leve daqui pra algum lugar. De preferência que ele me diga que eu estou sonhando, um sonho onde precisei destruir sozinho o grande significado que me impedia a caminhada ermitã. Que o sono (que não vem) me faça acordar num universo onde eu não dei nenhuma marretada. Que alguém me acorde com um sorriso e um bom dia...
5.9.07
::It's not easy singing sad songs...::
Its not easy singing sad songs
When you can sing the song to make me glad.
So when you look into the sun
And see the words you could have sung:
Its not too late, only begun,
We can still make summer.
Yes, summer always comes anyway.
( Look Into the Sun - Jethro Tull)
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