Bom Dia Mundo Cruel!
 

 
Rodrigo Teixeira Intelectuário e alcoólatra
 
 
   
 
29.12.07
 
Subia a rua e de repente senti um inseto no pescoço. Dei-lhe um tapinha para espantá-lo e não funcionou. Ele voou e me pousou por entre os dedos. Era uma joaninha. Cinza. Achei esquisito, me lembrei que dizem que quando uma joaninha pousa em nós é um sinal de boa sorte. Será que é igual com Joaninhas cinzas? Porque o que me levou a escrever esse post é o fato de que exatamente agora, uma joaninha cinza brinca no móvel onde se encontra o computador. Não é a mesma joaninha. Eu sou um homem que se dá ao trabalho de observar as manchas das joaninhas cinzas que me cercam...

25.12.07
 
::Do talento a clarabóia se tampara
E o poeta que ele sempre se soubera
Claramente não mirava algum futuro::


Porque ano após ano, Natal após Natal, a trilha sonora nunca muda...

Quando eu nasci veio um anjo safado
Um chato de um querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
Ainda garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
Nem a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro pra onde mesmo que eu vou
Mas vou até o fim
Mas como eu disse, era anjo safado
Um chato de um querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim





Cantando e sambando na lama de sapato branco, glorioso
Um grande artista tem que dar lição
Quase rodando, caindo de boca
Mas com um pouco de imaginação
Sambando na lama sem tocar o chão

E o tal ditado, como é?
Festa acabada, músicos a pé
Músicos a pé, músicos a pé
Músicos a pé



17.12.07
 
::Quem acha que escreve acha que faz analogia::

Havia um único e-mail novo, na lista de e-mails em massa. O remetente era a Manager online, uma empresa de cadastro de currículos e oferta de vagas de trabalho. Traiçoeiros e desonestos, devo acrescentar. Por isso as correspondências enviadas por eles vão direto para a caixa de e-mails em massa. Nada do que eles me disserem será meramente considerado. Eu expliquei isso a um representante da empresa numa conversa telefônica (cara!) há algum tempo. Há muito tempo, quero dizer. Não importa o assunto do e-mail, não importa quantas vezes o meu nome apareça e quantas vezes adjetivos brilhantes e pomposos sejam associados à minha pessoa. Eu simplesmente não confio mais neles pra me dar ao trabalho de olhar um desses e-mailzinhos. Até porque eles vendem seus serviços, para saber se todas essas promessas de salários exorbitantes, de terras onde manam leite e mel são verdadeiras, eu teria, invariavelmente, que me comprometer a eles, assinar algum contrato ou sei lá o quê. Como me comprometer com uma empresa indigna de confiança? Como acreditar que os serviços que me serão ofertados me farão feliz, quando outrora me foram onerosos e inúteis? Não, eu não. Vão bater à caixa de correios de outro. O Rodrigo não cai na conversa mole de vocês...
Mas mesmo assim os e-mails continuam a aparecer na caixa. Vários. Com as mesmas promessas mirabolantes, com os futuros que só mesmo uma entidade que pensasse em mim com todo o carinho e cuidado poderia planejar. Eu os ignoro. BUT THEY KEEP COMING! E eu juro que às vezes fico olhando praquele e-mail, pensativo, tentado a acreditar no que diz o título e tentar mergulhar na realidade de sonhos e felicidades que eles me prometem. Às vezes o que eu mais quero é acreditar na Manager. Independente de saber do que eles me fizeram, independente de saber que os e-maisl são gerados automaticamente. Independente da certeza de que esses e-mails chegam porque meu nome não valia nem o esforço de ser retirado da lista de e-mails automáticos.
Eu penso que depois que cancelei o serviço, eles passaram a me mandar as vagas nas categorias certas, nas regiões certas e aos montes, corrigindo a razão pela qual eu (emputecido) gastei meia hora conversando em gerundês com uma paulista qualquer pra conseguir cancelar minha assinatura (que não precisou de nenhum telefonema pra se efetuar e nenhum contratou para autorizar as retiradas em minha conta corrente). Eu sei que pra descobrir as mudanças preciso me comprometer, mas tenho medo. Melhor pra eles que não tenham mudado, porque eu não vou abrir aqueles e-mails nunca.

11.12.07
 
::You're hereby ordered to tell only the truth::

What else should I be
All apologies
What else could I say
Everyone is gay
What else could I write
I don't have the right
What else should I be
All Apologies

 

 


   
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